Escrito por:

Anya Nery Rosa
Biomédica e produtora da REDEC

Vanessa Silva da Costa Pisano
Marketing e comunicação da REDEC
Janeiro Branco veio e, com ele, aquela enxurrada de posts sobre “autocuidado” e “equilíbrio”. Mas quem vive o plantão sabe que, entre uma intercorrência e outra, o equilíbrio parece um luxo distante. Na saúde, cuidar da mente não é um conceito poético; é uma necessidade de sobrevivência.
Falar de saúde mental para quem está na linha de frente exige honestidade. O esgotamento não nasce da falta de vontade, mas do peso real de carregar a responsabilidade pela vida dos outros enquanto a nossa própria bateria está no vermelho.

O Burnout não é falta de força, é excesso de carga
O Burnout não chega de uma hora para outra. Ele vai se instalando no café frio tomado às pressas, na noite mal dormida pensando no paciente do leito X e naquela sensação de que, por mais que você faça, a demanda nunca acaba.
Na enfermagem, o esgotamento tem nome: fadiga por compaixão. É quando a gente se doa tanto que sobra pouco de nós mesmos para levar para casa. E vamos ser sinceros: o que adoece o profissional raramente é o paciente em si. O que drena a energia é o ambiente de pressão constante, a falta de braço e, muitas vezes, a desorganização do fluxo de trabalho que nos obriga a apagar incêndios em vez de apenas cuidar. É aí que a carga mental vira um fardo pesado demais.
Por que a sua cabeça manda no seu braço?
Quando o lado emocional está no limite, todo o cuidado se fragiliza: o tempo de resposta mental aumenta, a comunicação se embaralha e a empatia, base do nosso trabalho, fica comprometida.
Cuidar da sua saúde mental é o que garante que você continue sendo o profissional técnico e humano que escolheu ser. Estar bem não é algo supérfluo ou banal ; é o que mantém a segurança de quem está deitado na maca e a sua própria integridade ao chegar em casa.
Um respiro possível no meio do caos
Ninguém aqui vai sugerir que você medite por uma hora no meio de um plantão caótico. Mas existe um exercício de 5 minutos que ajuda a não levar o peso do turno inteiro nos ombros:
A técnica do “Descarrego Mental”: Ao final de um procedimento pesado ou antes da passagem de plantão, identifique uma única coisa que mais te sobrecarregou agora. Foi um conflito? Uma dúvida técnica? O cansaço físico? Apenas reconheça isso. Falar para si mesmo “esse momento foi difícil” tira o peso do automático. Se puder, troque dois minutos de conversa honesta com um colega de confiança. Compartilhar a carga evita que ela vire um curto-circuito interno.

Onde a REDEC entra nessa história
A gente acredita que conhecimento é uma forma de proteção. Quando o profissional se sente seguro tecnicamente, a ansiedade diminui. Nosso papel na REDEC não é apenas entregar conteúdo, mas oferecer ferramentas, simuladores, trilhas e tecnologia, que dão autonomia para você enfrentar o dia a dia com menos peso e mais domínio da situação.
Estamos aqui para fortalecer quem cuida, porque sabemos que um sistema de saúde só é forte se as pessoas que o sustentam estiverem inteiras.
Cuidar de você é a primeira parte do seu trabalho. O resto só acontece se você estiver lá.
#Burnout na enfermagem